Inteligência artificial na contabilidade: o que uma pesquisa com 2.275 profissionais ensina ao escritório

Inteligência artificial na contabilidade: o que a pesquisa mediu
Cinco horas por semana. É o tempo que profissionais de contabilidade, tributos e auditoria esperam ganhar com inteligência artificial na contabilidade dentro de um ano. Para um escritório de seis pessoas, isso dá perto de quinze dias de trabalho por mês, numa conta nossa. A pergunta que interessa ao dono do escritório vem logo depois: para onde vai esse tempo?
O número vem do relatório Future of Professionals 2025, da Thomson Reuters. A pesquisa ouviu 2.275 profissionais de contabilidade, tributos, auditoria, jurídico e conformidade, em empresas, escritórios e órgãos públicos de vários continentes. A coleta foi em fevereiro e março de 2025, e os resultados saíram em junho, no comunicado oficial da pesquisa.
Um cuidado antes de seguir. A pesquisa mede o que os profissionais percebem e esperam, e não cronometra a rotina de cada escritório. Serve como espelho da profissão. Abaixo estão os quatro achados que mais importam para quem toca um escritório contábil, cada um com o que fazer com ele.
Cinco horas por semana: o tempo que a inteligência artificial promete devolver
Os profissionais ouvidos esperam ganhar cerca de cinco horas por semana por pessoa. Na edição anterior, a previsão era de quatro. Em um mês, são perto de vinte horas, ou dois dias e meio de trabalho de cada pessoa da equipe.
Esse tempo sai de tarefas que todo escritório conhece. Redigir mensagens para clientes. Cobrar documentos. Resumir informações. Organizar planilhas de controle. Nada disso exige julgamento, e tudo isso ocupa a semana.
Pense na última semana do seu escritório. Quantas vezes alguém escreveu a mesma mensagem de cobrança de documento, com pequenas variações, para clientes diferentes? Quantas reuniões terminaram sem um resumo do que foi combinado? É nesse tipo de tarefa que o ganho aparece primeiro, porque o trabalho é parecido toda vez e a revisão é rápida.
Só que tempo liberado sem destino some. A rotina contábil sempre tem mais uma pendência, e as horas que a ferramenta devolve acabam engolidas pelo mesmo trabalho de antes. O escritório que ganha de verdade decide antes para onde as horas vão: conversar com os clientes que estão crescendo, revisar com calma, acompanhar os números que o cliente nunca pediu. Ou fechar o mês sem virar a noite.
Por que estratégia e equipe pesam mais do que a ferramenta
Só 22% dos profissionais disseram que a organização onde trabalham tem uma estratégia de inteligência artificial clara e conhecida por todos. Cerca de quatro em cada dez adotam a tecnologia sem estratégia nenhuma. E as organizações com estratégia visível têm o dobro de chance de ver a receita crescer com o uso da tecnologia, comparadas às que adotam no improviso.
A ferramenta está ao alcance de todos. O que separa os resultados é o jeito de usar.
Num escritório pequeno ou médio, estratégia cabe em uma tarde e em três decisões. Quais duas ou três rotinas entram no teste primeiro. Quem acompanha o teste. Como medir se valeu a pena, comparando o tempo gasto antes e depois. Junto com isso, combine com a equipe quais informações dos clientes podem ir para uma ferramenta e quais não podem. A confiança do cliente é o que sustenta a carteira.
Um teste de 30 dias basta para começar. Na primeira semana, a equipe anota quanto tempo gasta em cada tarefa escolhida. Na segunda e na terceira, usa a ferramenta nessas tarefas e anota de novo. Na quarta, todo mundo senta junto por uma hora e decide o que fica, o que sai e qual rotina entra no mês seguinte.
O registro é simples. Uma planilha com a tarefa, o tempo antes, o tempo depois e uma observação sobre a qualidade do resultado. Sem esse registro, a sensação de ganho vira opinião, e a conversa sobre continuar ou não fica sem base.
A equipe é o outro freio. Na pesquisa, 46% apontaram falta de habilidades no time, principalmente em tecnologia e dados. E 88% preferem assistentes feitos para a própria profissão, em vez de ferramentas genéricas. Na prática, aprender precisa estar na agenda: uma hora por semana para a equipe testar, errar e trocar o que descobriu. E a escolha da ferramenta começa pela rotina do escritório. A pergunta certa é qual tarefa do seu mês ela resolve.
Expectativa alta, mudança lenta: onde está a vantagem
Oito em cada dez profissionais esperam que a inteligência artificial tenha impacto alto ou muito grande na profissão nos próximos cinco anos. Só 38% esperam mudanças significativas na própria organização ainda neste ano. E três em cada dez acham que o lugar onde trabalham está indo devagar demais.
Quase todo mundo concorda que a mudança vem. Pouca gente está mudando agora. Quem começa no mês que vem sai na frente dos escritórios da mesma região que ainda estão esperando.
Diminuir essa distância pede constância, e não um projeto grande. Uma rotina por mês. Testar, medir, manter o que funcionou. Depois de um ano, a soma dos pequenos ganhos vira outro jeito de trabalhar.
A pesquisa também deixa uma pista que vai além da tecnologia. Inteligência artificial é uma forma de tirar trabalho repetitivo da mesa do dono e da equipe, mas não é a única. Muitos escritórios combinam ferramenta com uma equipe parceira que executa parte das rotinas nos bastidores e devolve tudo conferido, como na quarteirização com o DêConta. Nos dois casos, o objetivo é o mesmo: devolver ao escritório o tempo de usar o que ele sabe com os clientes. O desafio não é saber, é dar conta.
O que levar desta pesquisa para o seu escritório
Primeiro: o ganho de tempo existe na percepção de quem usa, mas só vira resultado quando o dono decide antes onde investir as horas liberadas. Essa decisão é sua, e não da ferramenta.
Segundo: estratégia simples rende mais do que adoção solta. Rotinas escolhidas, um responsável e uma forma de medir já colocam o escritório no grupo que vê a receita crescer.
Terceiro: a equipe precisa de tempo de aprendizado na agenda. A melhor ferramenta é a que resolve uma tarefa específica do seu mês.
Para exemplos de uso no atendimento e nas vendas, leia o post sobre inteligência artificial para contadores. E se a sua dúvida é como liberar o tempo da equipe, combinando tecnologia com uma equipe parceira nos bastidores, fale com o DêConta e conte como está a rotina do seu escritório.
Perguntas frequentes
Quanto tempo a inteligência artificial economiza na contabilidade?
Na pesquisa Future of Professionals 2025, da Thomson Reuters, os profissionais esperam economizar cerca de cinco horas por semana por pessoa dentro de um ano. É uma expectativa de quem trabalha na área, e não uma medição em cada escritório. O ganho real depende das rotinas escolhidas e de como a equipe aprende a usar.
Quais tarefas do escritório contábil a inteligência artificial pode assumir?
As que se repetem e não pedem julgamento. Rascunho de mensagens para clientes, lembretes de documentos pendentes, resumo de conversas e reuniões, organização de listas e planilhas de controle. A revisão final continua com uma pessoa da equipe, que confere antes de qualquer coisa chegar ao cliente.
A inteligência artificial vai substituir o contador?
A pesquisa não fala em substituição. Ela trata de tempo liberado, de habilidades da equipe e de estratégia de uso. A conversa com o cliente, o julgamento sobre cada caso e a confiança que sustenta a carteira continuam com as pessoas do escritório, que passam a ter mais tempo para isso.
Por onde começar a usar inteligência artificial no escritório contábil?
Escolha duas ou três rotinas que tomam tempo e se repetem todo mês. Defina uma pessoa responsável pelo teste. Combine com a equipe quais informações dos clientes podem ser usadas. Compare o tempo gasto antes e depois. O que funcionar fica, e no mês seguinte entra outra rotina.


